O Brasil registrou uma queda de apenas 0,1% no índice de analfabetismo,
mostra a Pnad 2008 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O estudo aponta
que a taxa de analfabetismo entre pessoas com dez anos ou mais passou
de 9,3 (2007) para 9,2 no ano passado.
Os dados da Pnad revelaram ainda que, entre as pessoas com mais de
15 anos, havia cerca de 14,2 milhões de analfabetos, sendo que a taxa
de analfabetismo neste segmento atingia 10%. Em 2007, este indicador
foi 10,1%.
O levantamento também aponta que a taxa de analfabetismo entre
homens de 15 anos ou mais foi estimada em 10,2%, enquanto entre as
mulheres do mesmo grupo etário o índice foi de 9,8%.
Disparidades
De acordo com a pesquisa, a taxa de analfabetismo desta faixa etária continuou apontando disparidades regionais.
No Nordeste, este indicador era quase o dobro do nacional.
Entretanto, esta região foi a única a apresentar queda expressiva da
taxa em relação a 2007, passando de 19,9% para 19,4% de analfabetos.
Analfabetismo funcional
A taxa aproximada de analfabetos funcionais, ou seja, aqueles com
mais de 15 anos que têm apenas quatro anos de estudos completos, caiu
21% nessa faixa etária, o que equivale a 0,8 ponto percentual a menos
que em 2007.
"Analfabetos funcionais são aqueles que não conseguem compreender um
texto em sequência, o que atrapalha essas pessoas a continuar a estudar
por não utilizarem a leitura para evoluir nos estudos. Geralmente, são
maiores de idade, pessoas que chegaram a frequentar a escola,
aprenderam a ler, mas não prosseguiram o aprendizado", disse o
economista do IBGE, William Kratochwill.
O pesquisador ainda afirmou que é importante mostrar que as mulheres
nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentaram um percentual
menor de analfabetismo funcional do que do homens.
"O curioso é que isso não se repete nas regiões Sul e Sudeste, onde
foram registrados 16,5% [mulheres] contra 15% [homens] e 16,9% contra
15,5% respectivamente. Seria preciso realizar outra pesquisa para saber
o motivo, porque justamente nessas regiões [Sul e Sudeste] o nível de
educação é maior", afirmou Kratochwill |